Grupo de Trabalho sobre Morcegos em Cavidades Naturais

Morcegos passam grande parte de seus ciclos vitais em abrigos diurnos, onde repousam, interagem, criam seus filhotes e mantêm-se protegidos de predadores. Várias espécies utilizam cavidades naturais como abrigo, como cavernas e frestas de rochas, sendo que algumas delas o fazem de forma exclusiva. Por causa do aporte de guano, morcegos são os principais responsáveis pela chegada de matéria orgânica em cavidades naturais, sendo, portanto, fundamentais para o funcionamento desses ecossistemas.

 

O Grupo de Trabalho Morcegos em Cavidades Naturais tem enfoque na avaliação dos morcegos que utilizam cavidades naturais do Brasil. Reconhecemos como profundamente necessárias, e ainda incipientes, as reflexões sobre as interações entre morcegos e cavidades ao longo das diferentes formações esculpidas pelo tempo geológico em solo brasileiro.

 

Será que morcegos utilizam mais as cavidades associadas a algum tipo específico de formação? Por que há assembleias grandes, com alta concentração de morcegos de um mesmo táxon e/ou taxocenoses mais diversas em determinadas cavidades, em detrimento de outras? Quantas espécies de morcegos dependentes de cavidades são conhecidas para o Brasil? Qual é o grau de associação dessas espécies de morcegos com as cavidades no Brasil? E de taxocenoses em particular, com cavidades em específico? Quantas espécies de morcegos dependentes de cavidades estão neste momento efetivamente protegidos no Brasil? Quantas cavidades, cuja biota é dependente de morcegos, estão devidamente protegidas no Brasil? Qual o impacto da supressão do entorno de cavidades ou das cavidades em si para as populações de morcegos que utilizam (ou utilizavam) essas cavidades?

 

São muitas perguntas que não comportam o tempo de aproximação e efetivação de exploração de materiais inorgânicos como calcário, ferro, arenito, quartzo ou da construção e operação de empreendimentos do setor energético brasileiro. Baseado nesta urgência, criamos este GT, que além de buscar respostas às questões acima expostas, tentará integrá-las às estratégias de conservação para a biota cavernícola e confrontá-las com a legislação vigente nessa área, avaliando sua eficácia.

 

Recentemente, houve uma revolução no âmbito da implementação da “Instrução Normativa nº 2 (IN nº 2)”, do Ministério do Meio Ambiente, publicada em 21 de agosto de 2009, no Diário Oficial da União regulamentadora do Decreto nº 6.640 editado em 07/11/2008, que tratava da intervenção em áreas com cavidades naturais subterrâneas. A IN nº 2 admite a supressão legal de cavidades para a implantação de empreendimentos, o que até então não era possível em termos legais. Neste novo cenário, tornou-se permitido intervir em cavidades de baixa, média e alta relevância, incluindo a supressão total; apenas as cavidades consideradas como de máxima relevância estão efetivamente protegidas. No âmbito do GT, as questões centrais que abordaremos estão relacionadas: (1) com o suporte científico para a definição e aplicação dos critérios de classificação de relevância de cavidades no que tange as populações de morcegos cavernícolas, em cenários de proteção, supressão e/ou monitoramento; e (2) com os critérios para definir restrições e pressões seletivas específicas dos morcegos cavernícolas brasileiros, as quais, pré-avaliamos, não foram representadas adequadamente dentro dos critérios escolhidos para a classificação de relevância de cavernas conforme a IN nº 2 de 2009.

 

O GT Morcegos em Cavidades Naturais está atualmente composto por um núcleo de pesquisadores pertencentes a três instituições, com encontros presenciais previstos para acontecer no próximo Congresso Brasileiro de Mastozoologia, a realizar-se de 22 a 26 de setembro em Gramado, RS e no próximo Encontro Brasileiro para o Estudo de Quirópteros, a realizar-se no primeiro semestre de 2015 em Ouro Preto, MG. Além disto, estão previstos seminários e formação de grupos de discussão locais, contando com alunos de graduação e pós graduação trabalhando com o tema. Contamos com a participação dos nossos associados nesses eventos em prol de refletirmos sobre a situação dos morcegos cavernícolas no Brasil e salvaguardarmos de modo racional seus abrigos, tão importantes quanto o alimento para sua sobrevivência.

 

 

Coordenadora:

Dra. Valéria Tavares, UFMG (Universidade Federal de Minas Gerias)


Membros:
Dr. Enrico Bernard, UFPE (Universidade Federal de Pernambuco)
Dr. Patrico A. Rocha, Pós-doc UFS (Universidade Federal de Sergipe)